Colégio de Brasília deixa celulares “na caixinha” durante as aulas

"mente presente"

Cameron Costa, 14 anos, estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, chega à escola e antes da primeira aula já deixa o celular no seu nicho do armário, que fica trancado, e só recupera o aparelho no intervalo. Ao contrário do que possa parecer, ele aprova a ideia de ficar algumas horas sem o celular.

“Achei que seria um pesadelo a pior coisa do mundo e que eu ficaria ansioso de saber quem mandou mensagem, que horas seriam? Bateu aquele desespero, mas não foi assim. Está sendo muito melhor do que eu esperava. Fui soltando o vício no celular. Melhorou meu foco, meu rendimento. Sem ele eu consigo prestar atenção na aula e percebo a turma muito mais presente, interagindo muito mais com o professor. A conexão entre os colegas melhorou muito também. Antes, nos intervalos, ficava todo mundo sem conversar, mexendo no celular. Agora, nos intervalos, a gente conversa sem parar. Está muito melhor”, conta o estudante.

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A mãe, Rosana Basile, também aprova: “A escola não pode naturalizar o uso excessivo do celular. Eu reparava que os estudantes utilizavam o aparelho sem parar e o celular não combina com a escola. Escola é lugar de socialização e interação entre as pessoas e não entre pessoas e máquinas. Achei fantástico a escola ter tido a coragem de adotar essa medida, ter feito o investimento nos armários com chaves, ter feito combinados claros. O nome do projeto é maravilhoso, “Mente presente”. Temos que incentivar isso, estarmos presentes no que estamos fazendo. Ficar sem o celular na escola possibilita que o jovem conheça a si mesmo e conheça melhor o outro”.

Alunos fazem fila para deixar os celulares na caixinha antes da aula começar (foto: divulgação - Tatiana Santos)
Alunos fazem fila para deixar os celulares na caixinha antes da aula começar (foto: divulgação – Tatiana Santos)

Inspiração europeia

A iniciativa é do Colégio Marista Asa Norte, em Brasília, que começou a implementar o projeto recentemente com o objetivo de melhorar a aprendizagem, manter o foco dos estudantes no estudo e promover a libertação da “dependência tecnológica” a que as novas gerações estão submetidas. A inspiração veio de países europeus como França, Itália, Finlândia e Holanda, em que o uso do celular é proibido nas escolas.

O projeto “Mente presente” funciona assim: o estudante chega ao Colégio e antes da primeira aula já guarda os eletrônicos – celular, relógios inteligentes – no armário que fica trancado. O único momento em que podem utilizá-los é durante o segundo intervalo e na saída. Quando há a necessidade do uso da tecnologia, o colégio fornece tablets e notebooks para os estudantes e a tecnologia mantém-se presente na sala de aula de forma saudável e efetiva.

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“Antes de implementarmos o projeto, fizemos todo um trabalho de pesquisa com especialistas no assunto. Participamos de uma formação com o Dr. Cristiano Nabuco, psicólogo que tem uma longa trajetória com temas de dependência tecnológica. Ficou bem claro que é importante cuidarmos da saúde mental dos nossos estudantes deixando espaço para que as mentes interajam, criem, conversem e atuem na vida real. Foi tão interessante que os estudantes até retomaram o envio de bilhetinhos uns aos outros, coisa que só víamos no passado”, comenta Luiz Gustavo Mendes, diretor do Colégio Marista Asa Norte.

5 fatores importantes para ficar sem o celular na sala de aula:

  1. Promove o foco nas aulas e nos estudos;
  2. Aumenta a interação com o professor e com os colegas durante as aulas;
  3. Reduz a ansiedade;
  4. Melhora a produtividade e o rendimento escolar;
  5. Protege o corpo das radiações vindas dos aparelhos

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Sarah Oliveira
Sarah Oliveira

Uma amante das palavras em uma jornada incessante de descoberta. Originária de São Paulo, encontro nas nuances da linguagem minha paixão. Com formação em Comunicação, tenho o prazer de guiar você pelos intrincados caminhos das notícias, oferecendo uma perspectiva única sobre o que acontece no Brasil e no mundo.

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