Após crise das grandes varejistas, shoppings se reinventam

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O modelo tradicional de shoppings, com grandes lojas-âncora, cede espaço para uma abordagem mais dinâmica. Afetados pela crise do varejo e pelos impactos da pandemia, os shoppings no Brasil buscam a reinvenção, adotando espaços menores e promovendo um mix diversificado de produtos e serviços para atrair consumidores.

O foco agora não é apenas em marcas específicas, mas em proporcionar uma experiência completa aos visitantes, incluindo entretenimento, gastronomia e serviços diversos. Com o fechamento de grandes lojas durante a pandemia, muitos shoppings dividiram esses espaços, resultando em uma variedade de estabelecimentos, frequentemente de setores distintos.

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Felipe Andrade, diretor comercial da Allos, empresa resultante da fusão entre Alliansce Sonae e BRMalls, destaca essa transformação como uma oportunidade para oferecer mais opções aos clientes e aumentar os ganhos. Ele observa que lojas menores têm um custo por metro quadrado mais alto, e a diversidade atrai mais consumidores, beneficiando o shopping.

Com uma taxa de ocupação de aproximadamente 94%, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shoppings têm respondido rapidamente às mudanças, preenchendo espaços desocupados. No Shopping Leblon, no Rio, a demanda de marcas interessadas em se estabelecer é alta, destacando a necessidade de uma “curadoria” para garantir a rentabilidade.

O Shopping São José, em São José dos Pinhais, adotou uma abordagem centrada em serviços e conveniência, com a abertura de 17 novas lojas, incluindo salão de beleza, academia, lotérica e serviços de saúde.

O estudo “O varejo dos shoppings: marcas em expansão”, da Abrasce, revela que 831 marcas abriram lojas no primeiro trimestre de 2023, com um aumento de 37,5% no segundo trimestre. Os setores de alimentação e bebidas, vestuário e perfumaria e cosméticos lideraram as expansões.

Marcas como MilkMoo, Fini e Vivara se destacaram nas inaugurações. A MilkMoo, por exemplo, iniciou em 2020 e planeja abrir uma loja por dia em shoppings até o final deste ano, com a intenção de alcançar mil lojas até 2025.

O presidente da Abrasce, Glauco Humai, enfatiza que a transformação dos shoppings em espaços multifuncionais, unindo varejo, entretenimento, gastronomia e serviços, segue uma tendência internacional. Ele destaca que, há duas décadas, o centro do varejo era a marca, enquanto agora é o consumidor, e os shoppings buscam soluções personalizadas para encantar o cliente.

A expansão do número de shoppings também é evidente, com inaugurações recentes em 2023 em diferentes estados do Brasil. O setor se mostra resiliente, surpreendendo positivamente, e áreas de serviço e entretenimento têm se destacado. Programas de fidelidade e quiosques são estratégias adotadas para fidelizar clientes e atrair marcas que ainda não possuem lojas físicas. O crescimento do fluxo de clientes e o investimento em experiências têm contribuído para o desempenho positivo de shoppings, contrariando receios relacionados ao avanço do e-commerce.

Sarah Oliveira
Sarah Oliveira

Uma amante das palavras em uma jornada incessante de descoberta. Originária de São Paulo, encontro nas nuances da linguagem minha paixão. Com formação em Comunicação, tenho o prazer de guiar você pelos intrincados caminhos das notícias, oferecendo uma perspectiva única sobre o que acontece no Brasil e no mundo.

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