Lula chega em encontro da cúpula do Brics para discutir entrada de novos países e moeda comum

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva  (PT), viajou para  à África do Sul, onde participará da abertura da 15ª Cúpula do Brics, bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Este encontro, que ocorre na capital sul-africana, Joanesburgo, é de suma relevância, já que durante os próximos dias, líderes destas nações discutirão questões cruciais que definirão o futuro dessa aliança internacional.

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Os debates que se desenrolarão ao longo da cúpula englobam três agendas principais: os critérios para a admissão de novos membros no bloco, a adoção de uma moeda comum, questão que gera divergências entre os membros, e a intensificação das relações com nações africanas, uma pauta de grande interesse para a presidência rotativa da África do Sul.

Estes tópicos, de alta complexidade, não obtêm consenso unânime no bloco, mas têm convergência na moldagem do perfil e do futuro do Brics dentro do novo panorama global.

Cúpula do Brics se reúne na África do Sul (Foto: Reprodução)
Cúpula do Brics se reúne na África do Sul (Foto: Reprodução)

Este encontro reveste-se de significado adicional por ser o primeiro encontro presencial desde o início da pandemia de Covid-19 e desde o início do conflito na Ucrânia, que se tornou um tópico crucial na agenda. Além disso, marca o retorno de Lula ao grupo que ele ajudou a fundar, após um hiato de 13 anos.

Lula chegou a Joanesburgo acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, e de sua aliada Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como o Banco dos Brics.

É importante observar que o presidente russo, Vladmir Putin, estará ausente fisicamente, participando remotamente e enviando o chanceler Sergei Lavrov como seu representante. Isso coloca o presidente brasileiro em uma posição de destaque, já que ele é o único chefe de Estado presente que esteve envolvido na criação do Brics.

Expansão do Brics no horizonte

Lula e os demais líderes do Brics têm a intenção de utilizar esta reunião para deliberar sobre a admissão de novos membros na aliança. No entanto, ainda não foi confirmado se os membros discutirão apenas princípios ou anunciarão oficialmente a entrada de outros países no grupo.

A primeira expansão do Brics ocorreu em 2011, com a inclusão da África do Sul. Desde então, pelo menos 20 solicitações oficiais de adesão ao Brics foram feitas, algumas delas contando com o apoio da Índia e da China.

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Os países que expressaram interesse em aderir ao bloco incluem a Argélia, Argentina, Arábia Saudita, Bangladesh, Bahrein, Belarus, Bolívia, Cuba, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Honduras, Indonésia, Irã, Cazaquistão, Kuwait, Marrocos, Nigéria, Palestina, Senegal, Tailândia, Venezuela e Vietnã.

A busca por uma moeda comum

Outro tema relevante na agenda da cúpula é a discussão sobre a criação de uma moeda comum para facilitar transações econômicas entre os países do bloco. Isso não implicaria a substituição das moedas locais, mas sim o estabelecimento de uma unidade de referência própria que permitiria aos membros conduzir transações comerciais independentemente do dólar americano.

A redução da dependência do dólar é uma proposta apoiada pela China, com o respaldo de Lula, especialmente durante seu terceiro mandato. Em meio ao conflito na Ucrânia, a Rússia, sob a liderança de Putin, também veria benefícios em reduzir a dependência global da moeda norte-americana.

Entretanto, a implementação dessa medida demandaria uma “engenharia financeira complexa”, um processo que, de acordo com o cientista político André César, levaria tempo para ser elaborado e implementado, e que, além disso, é um tema controverso que desagrada especialmente os Estados Unidos e a Europa Ocidental.

Nova governança mundial e a busca por equidade

A chamada “nova governança mundial”, um dos princípios fundamentais do grupo e uma pedra angular da política externa do presidente Lula, representa a busca por uma nova ordem mundial multipolar, mais equitativa. Isso representa um contrapeso ao cenário global marcado pela hegemonia dos Estados Unidos e das nações europeias ocidentais.

O papel da Rússia

Além das discussões sobre uma possível reformulação do bloco e o aprofundamento das relações com a África, esta cúpula também servirá como pano de fundo para debates sobre o papel da Rússia, uma das nações fundadoras do Brics, na comunidade global.

Apesar da ausência física de Vladimir Putin, que optou por participar remotamente devido ao risco de prisão, especialistas acreditam que a guerra no Leste Europeu será um dos tópicos centrais das discussões.

A Rússia, no entanto, também poderá se beneficiar desta reunião, já que busca diminuir o isolamento internacional decorrente de sua intervenção na Ucrânia. Além do interesse de parceiros estratégicos em ingressar no Brics, como Belarus, Irã e Cuba, a reunião pode oferecer à Rússia uma oportunidade de avançar em suas agendas na África.

Nos últimos anos, particularmente após o conflito na Ucrânia, a Rússia tem ampliado sua presença em países africanos que enfrentam instabilidade política e golpes de Estado recentes, como Burkina Faso, Mali e Níger.

Em artigo publicado na revista sul-africana Ubuntu, o ministro das relações exteriores russo, Sergey Lavrov, reafirmou o compromisso da Rússia em expandir parcerias na África e ressaltou a sintonia com a abordagem da África do Sul na cúpula, que busca fortalecer a cooperação com nações africanas.

Daniel Vicente
Daniel Vicente

Sou um entusiasta da informação, natural de Brasília. Atualmente, mergulho nos estudos de Ciências Políticas. Aqui, você encontrará análises aprofundadas sobre política, economia e assuntos globais. Vamos explorar juntos o vasto universo do conhecimento!

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