Colaboradores 40+ assumem vagas da Geração Z no retorno aos escritórios

trabalho presencial

De acordo com levantamento divulgado, neste ano, pela plataforma Flash, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Grupo Talenses, 69% dos profissionais que atuam a distância estão satisfeitos com o ambiente de trabalho, 61% preferem o híbrido e 51% o presencial. Apesar da rápida adaptação ao modelo 100% remoto herdado da pandemia, é cada vez mais frequente casos de empresas estabelecendo dinâmicas híbridas com seus times para reforçar a cultura e a importância do trabalho em equipe. No entanto, ao longo deste processo, lideranças de Recursos Humanos têm identificado resistências – o que vem gerando o afastamento da Geração Z e levando à contratação de talentos mais maduros.

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Freto, transportadora digital que nasceu com o propósito de simplificar a logística rodoviária, movendo caminhoneiros, vem lidando com este cenário desde que decidiu voltar ao presencial, em março deste ano. A empresa, que tem cerca de 100 colaboradores, estabeleceu a frequência presencial de 3 a 4 vezes na semana. “A ideia é que todas as áreas tenham, de fato, uma troca com o restante da equipe – e, naturalmente, isso colabora para que tenhamos contato com as mais variadas gerações. Cargos de liderança, por exemplo, estão no escritório no mínimo três vezes por semana”, justifica Fabiana Pauli, diretora de Pessoas do Freto.

Desafios do retorno

Contudo, a decisão tem enfrentado certa resistência por parte dos profissionais mais jovens. “Estamos aprendendo a lidar com a temática ‘retorno’. Como empresa, precisamos entender a dificuldade e particularidade de cada caso para que não seja traumático. No entanto, é importante que a equipe compreenda que o nosso contrato de trabalho sempre foi presencial e, ainda assim, flexibilizamos o modelo e passamos a adotar o formato híbrido”, explica a executiva.

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Victor Fazzio, sócio-sênior do Grupo Hub – consultoria de RH com soluções de recrutamento e seleção e desenvolvimento de pessoas –, aponta que, em casos extremos, os colaboradores preferem o desligamento ao retorno híbrido ou presencial. “Os jovens estão cada vez mais inflexíveis a voltarem ao trabalho nos escritórios. Por outro lado, desde 2023, nossos clientes têm solicitado com mais frequência o modelo híbrido em todas as áreas, incluindo tecnologia. Atualmente, as empresas buscam candidatos que estejam dispostos a trabalharem presencialmente três vezes na semana.”

Quarentões na (boa) mira dos RHs

O baixo engajamento da Geração Z no retorno aos escritórios está gerando oportunidades para profissionais mais experientes. No Freto, os colaboradores entre 40 e 56 anos são cerca de 20% do total de funcionários. Fabiana aponta que esse público tem sido mais flexível na retomada das atividades presenciais e a companhia já estuda ampliar, cada vez mais, a faixa etária de contratação.

“Estamos falando de um perfil que está se beneficiando de oportunidades que não estão sendo consideradas pelos jovens. No que diz respeito ao mercado, acredito que essa mistura geracional proporciona uma rica troca de experiências e novos aprendizados. Mais do que nunca, precisamos refletir que, embora estejamos lidando com uma certa resistência por parte desses talentos, contamos com ótimos talentos Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1964) e Geração Y (1980 a 1995), que estão desempenhando um trabalho vital nos mais diversos segmentos”, comenta a executiva.

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Como explica Fazzio, a inflexibilidade – que vem sendo notada com mais frequência na Geração Z e nos Millenials –, faz com que as empresas olhem para perfis 40+ com outros olhos. “Eles acabam tendo uma maior aceitação para voltarem ao presencial, inclusive, abrindo mão do home office possivelmente devido a diferentes prioridades e costumes ou resistência menor às mudanças no ambiente de trabalho. Isso vem acontecendo em diversos setores da economia, não como uma requisição do gestor ou RH, mas percebemos uma maior abertura para avaliarem profissionais mais maduros para posições que antes seriam ocupadas pelos mais jovens.”

Conflito geracional

A diversidade etária abre espaço para novas dinâmicas de interação. As startups, que por anos fomentaram a inovação por meio de equipes jovens, também amadureceram seus times. Pela primeira vez, quatro gerações contemporâneas estão interagindo juntas nas empresas. “O conflito geracional pode levar a desafios na gestão e na integração de diferentes estilos de trabalho. Neste sentido, as companhias devem promover uma cultura inclusiva, oferecendo treinamentos de sensibilidade geracional e mentorias, de modo a auxiliar na colaboração de todos”, sugere Victor Fazzio, sócio-sênior do Grupo Hub.

“Essa mescla de gerações proporciona diversas trocas de experiências e novos aprendizados. O maior deles é entender que a adaptabilidade do modelo de trabalho varia conforme a estratégia da organização – e o que muda é a forma como encaramos isso. Podemos adotar uma postura totalmente resistente ou estar aberto a viver essa experiência, testar e até mesmo nos surpreender com a possibilidade de aprender e se desenvolver”, finaliza Fabiana Pauli, diretora de Pessoas do Freto.

Sarah Oliveira
Sarah Oliveira

Uma amante das palavras em uma jornada incessante de descoberta. Originária de São Paulo, encontro nas nuances da linguagem minha paixão. Com formação em Comunicação, tenho o prazer de guiar você pelos intrincados caminhos das notícias, oferecendo uma perspectiva única sobre o que acontece no Brasil e no mundo.

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