Após erros graves, justiça manda governo Tarcísio tirar do ar apostila digital

A juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, emitiu uma ordem para que o governo estadual retire, em um prazo de 48 horas, o material digital didático utilizado pelos estudantes da rede pública de ensino. Essa decisão foi tomada após a revelação de graves erros de informação contidos nos slides das apostilas.

Um dos erros identificados envolve o conteúdo de história destinado aos alunos do 9º ano do ensino fundamental, que erroneamente menciona que a cidade de São Paulo possui praias.

Além disso, em um slide relacionado à mesma disciplina, destinado ao 8º ano do ensino fundamental, é indicado que dom Pedro 2º assinou a Lei Áurea em 1888, quando na verdade essa assinatura foi realizada por sua filha, a princesa Isabel.

Apostila comete erro graves históricos (Fotos: Reprodução / Tag Notícias)
Apostila comete erro graves históricos (Fotos: Reprodução / Tag Notícias)

A Secretaria de Estado da Educação, sob a liderança de Renato Feder, reconheceu esses erros e informou que os responsáveis por eles foram afastados.

A ação popular contra o material didático foi iniciada pela deputada estadual Professora Bebel (PT), que também é a segunda presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp).

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Na sentença, a juíza ordena a suspensão do material digital “até que seja revisado de acordo com os padrões estabelecidos pelo Ministério da Educação e diretrizes curriculares”. Caso o prazo de 48 horas não seja cumprido, uma multa diária de R$ 10 mil será aplicada.

Críticas anteriores em relação a esse material incluíram uma nota técnica emitida por pesquisadores da Rede Escola Pública e Universidade (REPU) no início de agosto, apontando problemas metodológicos, erros conceituais e falta de contextualização nos slides produzidos pelo governo estadual.

A Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos (Abrale) e os próprios professores da rede estadual também criticaram o conteúdo digital, alegando falta de autonomia didática devido à imposição desse material.

Anteriormente, a Secretaria comandada por Feder havia orientado os educadores a utilizar os slides em todas as aulas nas 5.300 escolas da rede estadual de ensino. Em julho, quando a Secretaria recusou a adoção dos livros didáticos do governo federal, a gestão estadual chegou a anunciar que todo o conteúdo para os alunos dos anos finais de Ensino Fundamental e Médio seria disponibilizado de forma digital.

No entanto, após as críticas de especialistas, o governo recuou e voltou a aderir ao Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).

Até o momento, a Secretaria da Educação não se pronunciou sobre a decisão judicial. O espaço para futuros comentários permanece disponível.

Daniel Vicente
Daniel Vicente

Sou um entusiasta da informação, natural de Brasília. Atualmente, mergulho nos estudos de Ciências Políticas. Aqui, você encontrará análises aprofundadas sobre política, economia e assuntos globais. Vamos explorar juntos o vasto universo do conhecimento!

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